domingo, 1 de maio de 2011

A VOLTA DE SIDNEY PRESCOTT,A RESSUREIÇÃO DE UM GRANDE SUCESSO DO GÊNERO TERROR VOLTOU COM TODA A FORÇA NOS CINEMAS DO BRASIL E DOS ESTADOS UNIDOS,DEPOIS DE 11 ANOS AGUARDANDO A CONTINUAÇÃO DA SÉRIE,A SEQUÊNCIA VOLTA EM UMA NOVA DÊCADA,COM NOVAS REGRAS,PRINCIPALMENTE NA TECNOLOGIA E DAS NOVAS GERAÇÕES..DEPOIS DE 11 ANOS DE SUCEGO,SIDNEY PRESCOTT VOLTA A CIDADEZINHA DE INTERIOR,WOODSBORO E VOLTA TAMBÉM A SER PERSEGUIDA PELO SERIAL KILLER ASSASSINO MASCARADO..O GRANDE SUCESSO ESTÁ DE VOLTA..














    Quando as luzes da sala de cinema se apagarem para iniciar mais uma das sessões previstas na programação, a volta de um dos maiores clássicos do cinema de terror estará, finalmente, consumada. Onze anos depois do filme que marcava o fechamento de uma até então trilogia, Pânico 4 estreia mesclando saudosismo e ansiedade daqueles que acompanharam durante boa parte da década de 90 a sangrenta história da jovem Sidney Prescott.
A história de Pânico brincava consigo mesma. As cenas assustadoras e os diálogos que satirizavam os clichês dos filmes de terror foram sucesso de público e crítica – Pânico 1 foi um dos filmes mais lucrativos de 1996, ano de sua estreia. A trilogia foi responsável por reacender lembranças de grandes clássicos do cinema.


Com o esgotamento dos slasher movies, de fórmula marcada por assassinos em série e chamada por muitos de “terror b”, Pânico surgiu para relembrar clássicos como Halloween, Sexta-feira 13 e A hora do pesadelo. Brincando com as “regras” de como se matar e quem deve morrer, causou medo com a mesma facilidade com que provocava risadas. Seu humor subentendido poderia levar alguém a classificá-lo como uma “comédia sangrenta”.


Na quarta produção, Sidney Prescott (Neve Campbell) é uma autora de livros de autoajuda que volta para sua cidade natal, Woodsboro, na última parada de sua turnê de autógrafos. Seu reencontro com o Xerife Dewey (David Arquette) e com a jornalista Gale Weathers (Courteney Cox) marca, também, a volta do assassino Ghostface. A metalinguagem continua, agora satirizando famosas sequências do cinema, como Jogos Mortais e Premonição.


Sequências enfraquecidas


Existe uma espécie de convenção popular responsável por prever o insucesso de sequências. Foi assim com Pânico 2 e 3, que, mesmo com bons números de bilheteria, não foram capazes de empolgar tanto quanto o primeiro. Aliado a isso, as diversas sátiras da série Todo mundo em pânico talvez pudessem ser responsáveis por enfraquecer a figura do serial killer fanático por filmes de terror.
O retorno da série, ainda com direção de Wes Craven e novamente com roteiro de Kevin Williamson (que havia se afastado em Pânico 3), no entanto, divide as opiniões. Enquanto alguns fãs ardorosos esperam matar a saudade de um dos assassinos mais famosos de todos os tempos, outros se mostram apreensivos quanto à ressurreição da história.
o sucesso anterior da série pode ser a garantia de bom público nas salas de cinema na quarta produção. “Pânico nunca se levou a sério. Ele é uma espécie de auto-sátira, e talvez por isso esteja imune às sátiras que vieram depois, como o Todo mundo em pânico.


A ideia é compartilhada pelo cineasta Ulisses Costa. “A própria figura do assasino é, por si só, uma brincadeira. Aquela fantasia era utilizada no Halloween dos Estados Unidos muito antes do filme”, lembra. “A escolha do visual já é uma indicação dessa busca pela sátira”.
alcançar o sucesso do primeiro filme é uma tarefa difícil. “Pânico 1 teve um impacto muito grande, tanto em termos de público quanto de crítica. Não havia se pensado em continuar a história, e não sei por que suas continuações não foram tão bem sucedidas”, comenta. “Mesmo assim, é impossível negar que os filmes atingiam o objetivo de provocar riso e medo ao mesmo tempo”.


Dividindo opiniões e despertando a curiosidade de todos aqueles que torciam para que o telefone não tocasse enquanto estivessem sozinhos em casa, Pânico 4 é uma chance de reviver um grande sucesso do cinema. Uma coisa é certa: muitos, independente da idade, voltarão a sonhar com a célebre ”Hello, Sidney… What’s your favorite scary movie?”.



Uso de redes sociais esteve presente em "Pânico 4", diz o diretor Wes Craven.


O mundo em geral, e o mundo dos filmes de horror em particular, mudou muito na última década. Todavia, o lendário cineasta de horror, Wes Craven, está de volta com “Pânico 4” , que o reúne com David Arquette, Neve Campbell e Courteney Cox, os astros/sobreviventes da trilogia “Pânico” original, lançada em 1996, retomada em 1997 e cujo último episódio saiu em 2000. O quarto filme da franquia estreia em 15 de abril nas telas brasileiras.
“Uma das maiores mudanças foi a ascensão das redes sociais”, diz Craven. “Os garotos estão se comunicando por mensagens de texto, tweets, e-mails e Facebook. Tudo gira em torno da Internet. Isso faz parte do que está acontecendo no mundo agora, que ainda não estava em plena força quando ‘Pânico 3’ saiu, e é algo que ‘Pânico 4’ trata. Além dos celulares, é claro. Esse aspecto de nossa cultura está muito presente no filme. 



Com lançamento previsto para 15 de abril, “Pânico 4” revisita a bucólica Woodsboro, onde Sidney (Campbell) – que sobreviveu por pouco aos três primeiros ataques do assassino Ghostface– chega à cidade em uma turnê de divulgação de livro. Dewey Riley (Arquette) ainda é o xerife e está casado com a ex-repórter intrépida Gale Weathers (Cox). Não demora muito para o assassino Ghostface atacar de novo, colocando em risco Sidney, Dewey e Gale, assim como uma nova leva de vítimas potenciais (Rory Culkin, Erik Knudsen, Hayden Panettiere, Emma Roberts).
“Eu acho que é basicamente isso, assim como o Gênesis é sobre o dilúvio”, diz Craven, confirmando a trama durante um telefonema de seu escritório em Los Angeles. “Mas o diabo está nos detalhes. Eu não vou preencher muitas lacunas, porque isso fica para as pessoas descobrirem quando assistirem ao filme. Até agora nós evitamos a divulgação de surpresas e que o roteiro vazasse na Internet, o que experimentamos nos ‘Pânicos’ anteriores.”
“Mas com certeza é sobre o retorno de Sidney à sua cidade natal, um lugar que ela tem evitado há muito tempo por causa dos fantasmas que existem lá. É sobre seu relacionamento com sua prima (Roberts), que é filha da irmã de sua mãe. Dewey e Gale estão casados e vivendo em Woodsboro. Quando Sid retorna, uma série de assassinatos tem início...”



 virgens morrem”, diz Craven rindo. “Essa é apenas uma observação dos filmes feitos nos últimos 10 anos, especialmente os recentes. Há um avanço do cinismo, ou uma ruptura dos clichês, de que a inocência não garante que você sobreviverá como, digamos, ocorreu com Nancy em ‘A Hora do Pesadelo’. Sid sobreviveu aos três primeiros ‘Pânico’ por causa de um estilo de vida muito austero, mas isso não garante a sobrevivência no final deste filme.”
“Em geral, sem uso de mão pesada, é uma declaração de que todos estamos suscetíveis à violência na vida, não importa no que você acredite ou qual seja seu sistema moral. Basta estar no lugar errado na hora errada, às vezes, ou alguém botar os olhos em você, ou mesmo alguém se incomodar com sua inocência, transformando você em alvo, porque o mal odeia a inocência.”



Um assassino mascarado que pode te mandar mensagens assustadoras através do Facebook ou até do Twitter! É com essa linguagem mais atual que os diretores ligam Pânico 4 aos mais jovens fãs da saga que surgiu em 1996 com o primeiro filme.

Quinze anos depois do primeiro filme (Pânico), chega aos cinemas de todo o Brasil Pânico 4. Com a mesma fórmula do primeiro filme, porém com diálogos mais modernos. Explorando o facebook, webcams, twitter, youtube e muitos outros. Além disto, o fascínio dos personagens mais jovens no filme pelo terror continua, onde prevêem os próximos acontecimentos; como eles já passaram por estes 3 vezes anteriormente, fazem piadas com as circunstâncias e fatos que acontecem, inclusive as mortes de colegas de colégio.

Como nos anteriores, STAB (o filme que acontece dentro do filme Pânico, sobre os acontecimentos) se faz presente, mas agora está em sua sétima franquia; é quando é comparado a uma outra franquia interminável: Jogos Mortais.

Inspirado em vários filmes de terror, o assassino retorna, mas desta vez, as regras são baseadas no novo clichê. Porém, com um diferencial: agora, as mortes são filmadas pelo assassino! E a princípio, ele possui uma nova preferida vítima, além de Sidney, claro. Sua prima, Jill! Com o objetivo de acabar com todos a quem Sidney ama, a deixando sozinha e se sentindo culpada pelas possíveis mortes dos entes queridos.. e depois, acabar com a vida dela.

Com muito sangue, e com mortes mais cabulosas do que nos filmes anteriores, Pânico 4 surge com o mesmo e impecável formato: dá para assustar, rir, relembrar de cenas anteriores e ficar bem tenso com aquela máscara tenebrosa!

Será que Sidney morre dessa vez?? Ou vai perder sua família e seus amigos, Xerife Dewey e Gale??
Gostei muito do filme! Fiquei um pouco relutante em ver, por se tratar do quarto da franquia. Mas, adorei ver Sidney novamente, a doidinha Gale que abandonou a carreira de repórter em nome do amor por Dewey, e toda a loucura e tensão do telefone tocando e ouvir aquela voz rouca do outro lado da linha perguntando:"Qual o seu filme de terror favorito?



Apesar de Pânico ter sido criado originalmente como uma trilogia, os rumores de um quarto filme duraram anos até que, em 2008, foi oficializada sua criação;
Roger L. Jackson volta à franquia. Ele é responsável pela rouca voz do assassino Ghostface;
David Arquette e Courteney Cox se conheceram e se casaram enquanto filmavam 'Pânico';
A atriz Ashley Greene, da saga Crepúsculo, foi cotada para o papel de Jill Kesler, prima de Sidney, mas o perdeu para Emma Roberts;
Neve Campbell só confirmou seu retorno como Sidney Prescott em setembro de 2009 com um gordo cachê.
            
                                          FOTOS   DO FILME  PÂNICO 4                 
                                     LANÇADO EM 15 DE ABRIL DE 2011                               
                                                       NOS CINEMAS..












NOVIDADES NA NOVA SEQUÊNCIA DE PÂNICO 4,NA SUA TRILOGIA,O FILME ARRECADOU US$ 507 MILHÕES DE DÓLARES..UM GRANDE SUCESSO DO GÊNERO TERROR DOS CINEMAS...



                        




A estreia de "Pânico" em 1996 mudou o panorama do cinema de horror em Hollywood. O gênero voltou a ficar na moda, a encher os bolsos dos estúdios e apresentou ao mundo a escrita esperta do roteirista Kevin Williamson. Cheios de referências a filmes de maníacos clássicos, diálogos rápidos e flertando com o humor e a ironia, os três filmes da série faturaram juntos US$ 507 milhões e angariaram uma legião fiel de fãs, em especial porque, por mais que tivessem uma postura engraçadinha, continuavam sendo uma fonte interessante de sustos e suspense. "Pânico 4", a retomada da franquia, chega aos cinemas de todo o mundo nesta sexta-feira (15) praticamente sem conflitos: é uma comédia deslavada.
A trama não maquia a linha do tempo e começa dez anos depois de "Pânico 3" (2000), que, se imaginava, ia enterrar a série – apesar de brincar com a indústria do cinema, o roteiro confuso, o único sem a participação de Williamson, havia colocado tudo a perder. No quarto filme, a brincadeira com a metalinguagem continua, agora tirando sarro com as sequências sem fim de filmes de terror – "Jogos Mortais" e "Premonição", por exemplo, entram no pacote para os comentários ácidos sobre a série "Stab" (facada), o filme dentro do filme. As cenas de abertura, como de costume, são um dos pontos altos – atenção para a participação especial de Anna Paquin e Kristen Bell.
De cara já se percebe o tom estabelecido por Williamson e a sensação é de conforto, familiaridade. Os personagens disparam frases inteligentes, sagazes, tem consciência dos estereótipos que representam e até mesmo das frequentes autorreferências de "Pânico" – "porcaria de metalinguagem", reclama um deles. Por fim, chega-se à cidadezinha de Woodsboro e nem parece que uma década ficou para trás. O universo criado pelo diretor Wes Craven, que nunca mais fez nada que preste, está lá, intacto. A famosa voz de Roger L. Jackson, responsável por dar vida ao assassino Ghostface, também.


Após anos de trauma e fuga, a heroína Sidney Prescott (Neve Campbell) está em Woodsboro para encerrar a turnê de divulgação de um livro de auto-ajuda campeão de vendas, em que conta como deu a volta por cima. Seu sucesso provoca o ciúme da repórter Gale Weathers (Courteney Cox, esticadíssima), enfim casada com o xerife Dewey (David Arquette) – está aí a trinca de sobreviventes dos filmes anteriores. Acontece que os amigos da adolescente Jill (Emma Roberts), prima de Sidney, começam a ser mortos e, aos trancos, a turma junta os pontinhos para descobrir que alguém está tentando superar os assassinatos do "Pânico" original. Irritada com a nova onda de crimes, a população e a própria família de Sidney a acusam de ser um "anjo da morte". Está instaurado o frágil drama de "Pânico 4".
Os tempos são os outros, e o filme tira graça disso. O maníaco deixa mensagens no Facebook, todos os personagens – todos – têm seu iPhone e há uma relação forte com a geração web 2.0, ávida por vídeos e informação em tempo real. Isso prova que não foram só os anos que passaram. Junto com os fãs antigos, uma nova geração inteira está pronta para consumir a franquia e, da mesma forma, tem total consciência, talvez até mais, dos truques dos filmes de terror. A solução encontrada por Craven e Williamson foi vestir os clichês sem qualquer vergonha e o resultado é quase um pastiche. As risadas, aí, saem com facilidade.

Antes de morrer em Pânico 3, Jenny McCarthy reclama que não tem como decorar as suas falas se elas são reescritas a cada 15 minutos. A essa altura da série do roteirista Kevin Williamson e do diretor Wes Craven, as indefinições do roteiro já tinham virado piada interna. Em entrevistas, Courteney Cox diz que o único tranquilo de fazer mesmo, com texto fechado antes das filmagens, foi o primeiro Pânico.


Dá pra perceber que uma produção passou por mudanças de última hora quando as fotos de divulgação mostram cenas que não estão no filme (como esta, esta e esta). No caso de Pânico 4 (Scream 4), Williamson brigou com os produtores, foi brevemente substituído por Ehren Kruger (que havia dado o tom mais apatetado do terceiro filme) e mesmo Craven escreveu algumas partes.


No fim, como por milagre, sempre sai algo coeso. Ainda que seu trabalho tenha sido modificado ao longo de Pânico 4, a volta de Williamson aos roteiros (Kruger assinou o terceiro sozinho) recoloca a franquia no rumo dos dois primeiros: enquanto Craven manipula visualmente as expectativas do terror, o roteirista faz piada metalinguística e - sua especialidade lapidada por anos de Dawson's Creek - escreve diálogos críveis para personagens adolescentes.


De resto, é só questão de tirar a poeira do whodunit, cujas peças têm arranjo mais que conhecido. A trama se passa dez anos depois do terceiro Pânico, com Sidney (Neve Campbell) retornando a Woodsboro para promover um livro de auto-ajuda. A personagem continua naquela chave trágica bem trabalhada no segundo filme. Agora, os adolescentes de Woodsboro a chamam de Anjo da Morte. Eles já assistiram aos sete longas da franquia caça-níquel Stab (os filmes dentro dos filmes) e sabem que ao redor de Sidney todo mundo é esfaqueado em algum momento.


É irônico que toda a campanha de divulgação do filme fale em "nova década e novas regras", porque, no fundo, Pânico não muda em nada. Ghostface continua tendo uma mira péssima - a "facada no ombro", como tudo, é repetida até virar piada autoreferente - e Dewey (David Arquette), que tem uma mira pior, nunca se dá ao trabalho de perseguir o maníaco, embora não esteja mancando mais. Aliás, Arquette visivelmente sofreu com a instabilidade do roteiro. Ele passa meio filme sem saber para onde vai sua viatura.


As tais novas regras só se aplicam ao motif do assassino. Os primeiros filmes faziam graça, diziam que nem todo maníaco precisa de motivos, mas o fato é que a franquia sempre os dá. Talvez o motif de Pânico 4 seja o mais consistente da série - está em sintonia com a "nova década", em que "o sadismo é a nova sanidade", e não parece solto no ar, como o motivo de Micky em Pânico 2.


Sadismo, de qualquer forma, sempre foi elemento essencial na franquia. Craven reinventou o medo em A Hora do Pesadelo, mas a série Pânico lida muito mais com a expectativa do susto - com toda a comicidade que isso implica, neste caso - do que com o medo. Repare, por exemplo, que raramente a câmera nos coloca no ponto de vista subjetivo de Ghostface. É uma das regras do gênero pós-Halloween (aquelas câmeras em primeira pessoa, tremidas atrás do arbusto), mas Craven prefere a câmera objetiva. É o sádico que não se envolve.


No fundo, talvez seja isso que garanta a longevidade da série. É um senso de espetáculo primitivo, universal, atemporal e principalmente inofensivo, como aquelas perseguições de Scooby-Doo no corredor cheio de portas: ficamos só esperando para ver se o maníaco aparece pela da frente, do fundo, ou de ambas. Aliás, a profusão de celulares amplifica esse jogo - talvez seja a contribuição mais significativa da nova década.



O xerife Dewey nunca esteve tão pateta e a polícia, o triunfo da incompetência. O ingrediente "gore", a sanguinolência, está intensificada. Os personagens de "Pânico" sabem muito bem que não é inteligente andar sozinho com um assassino à solta e muito menos sair de dentro do carro numa garagem deserta e suspeita, só que agora eles fazem isso com uma inocência incrível. É o pastelão, portanto, ainda mais evidente no desfecho, digno de um final de episódio de "Scooby Doo" e com uma lição de moral medonha.


Fica difícil tomar um susto ou levar as mortes a sério e aí até fazem sentido os fanáticos pela ficção "Stab", que assistem aos filmes torcendo para Ghostface, vibrando com uma faca de plástico na mão – a opressão, o medo, dão lugar à festa, ao "terrir" consagrado por "Todo Mundo Quase Morto". Ainda mais que a autorreferência, marca registrada da franquia, nessas alturas já está no nível do puro deboche. "Pânico 4" é divertido? Sim, não há dúvida. Só não espere um filme de terror, e sim a comédia do ano.

Onze longos e sangrentos anos. Foi o tempo que o público teve que esperar até que Wes Craven recobrasse o ânimo – e recebesse uma proposta polpuda o bastante – para retomar sua franquia “Pânico”, que tanto fez a alegria da galera lá pelo fim dos anos 1990. E se você é da turma que adorava ver Sidney quase-morrendo, enquanto dava uns berros no cinema, pode comprar a pipoca e se jogar: “Pânico 4″ deve compensar a espera.


Craven é espertinho. Vamos admitir: o cara revolucionou o gênero suspense/terror com vários clássicos – “Aniversário Macabro” (1972), “Quadrilha de Sádicos” (1977), “A Hora do Pesadelo” (1984) ,mas causou seu maior impacto com o primeiro “Pânico” (1996). E fez isso de uma forma bem divertida: primeiro, retirou do filme todo o aspecto trash que era imperativo em produções que iam da série “Sexta-Feira 13” até coisas como “A Volta dos Mortos-Vivos” (1985).

Não que o trash fosse ruim. Mas era meio indigesto pra um público que, até então, ia ao cinema pra ver “O Rei Leão” e “Gasparzinho”. Foi preciso menos intestinos de mentirinha e mais sustos de verdade, além de uma produção minimamente cuidadosa, pra fazer tudo parecer bem feitinho. E deu certo. “Pânico” virou filme que lotava cinemas de shopping centers – bem diferente da maioria de seus companheiros de gênero dos anos 90.


Aí veio a segunda sacada: sabendo que um assassino vestido com uma capa e uma máscara era algo um tanto ridículo, principalmente em se tratando de um assassino cuja arma principal é um faca, Craven e seu roteirista, Kevin Williamson (criador das séries “Dawson’s Creek” e “The Vampire Diaries”), fizeram como ele e vestiram a carapuça, assumindo esse ridículo. Fizeram de “Pânico” um “Shrek” dos filmes assustadores – muito antes de “Shrek” existir. E desde que a nouvelle vague ensinou Hollywood a brincar com gêneros, foram poucas as vezes que isso deu tanto certo quanto na (até então) trilogia “Pânico”.




A metalinguagem foi tão bem sucedida que passou da simples referência para uma trama em que há literalmente a produção de um filme – o mote do roteiro de “Pânico 3″. Tudo isso numa série em que o assassino faz questão de perguntar às vítimas: “Qual o seu filme assustador predileto?”

Só que “Pânico 3″, em 2000, parecia ser o fim da série. O próprio Wes Craven afirmou veementemente que não faria continuações. Até que no ano passado surgiram os rumores: “Pânico 4″ estava sendo produzido. E o desafio era grande: há 11 anos, a franquia era o supra-sumo em seu gênero mas, agora, depois das adaptações do terror japonês, da série “Jogos Mortais” e da Internet (nem DVD existia direito quando o primeiro “Pânico” chegou às telonas!), a coisa seria bem diferente. Principalmente se levarmos em conta que a franquia “Todo Mundo em Pânico”, sátira escrachada baseada nos filmes de Craven, tornou-se tão famosa quanto os próprios filmes. Ou mais.

Pois bem. Craven manteve-se fiel à sua fórmula e, mais uma vez, assumiu o ridículo, por assim dizer, do que estava fazendo. Como um dos personagens diz: “A tragédia de uma geração é a piada da geração seguinte”. E hoje tem marmelada? Tem sim, senhor! O filme já abre criticando seus “concorrentes” e deixando claro a que veio: o bom e velho “Pânico” está de volta. E, se ele não é seu filme assustador predileto, vai fazer de tudo para ser, alternando cenas genuinamente desesperadoras e apreensivas com momentos constrangedoramente absurdos.

É preciso ter pelo menos uma pequena noção dos filmes anteriores para entender tudo que acontece em “Pânico 4″. Sidney Prescott (a mesma Neve Campbell do primeiro, segundo e terceiro filmes) volta à Woodsboro, sua cidade natal, para lançar o livro em que conta como sobreviveu à tragédia que matou basicamente todo mundo que ela conhecia quando jovem. Além dela, sobraram sua ex-inimiga Gale (Coutney Cox) e o agora xerife Dewey (David Arquette).
E é claro que se Sidney volta, um novo assassino vem atrás, e daí pra frente não é preciso conhecer a franquia para aproveitar: é o típico filme de serial killer, no estilo eternizado, justamente, pela série “Pânico”.

Para quem sente saudade dos anos 1990, a fotografia de baixa profundidade de campo e iluminação sombria, além da falta de filtros na contra-luz, vai trazer uma sensação nostálgica de estar assistindo ao filme num VHS, como é bem provável que você tenha feito em algumas das três primeiras versões. Mas pára por aí.
Como diz o slogan do filme, “Nova década, novas regras”. E dá-lhe clichês fresquinhos a serem explorados, indo da câmera-amadora-na-mão até o filme-dentro-do-filme, passando por uma piadinha tão boa quanto infame com Robert Rodriguez.

“Pânico 4″ vem para revitalizar e integrar uma série que – quem diria! – virou cult. Mérito de Craven e Williamson, por refrescarem o gênero que se propuseram a trabalhar, dando-lhe nova cara. Mas também vem para divertir, deixando o público pra cima até com a trilha dos créditos finais, mesmo sendo um filme de terror sobre assassinatos. Mérito de seus “concorrentes” de gênero, que, no fim das contas, só servem mesmo para chacota.

Pânico foi o responsável por resgatar a cultura terror adolescente, com uma linguagem jovem e cinéfila; Wes Craven e Kevin Williamson criaram um novo universo cinematográfico explorando a metalinguagem até a última bitola. Suas tramas e diálogos, têm personagens antenados nos longas de terror de sucesso. Mais ou menos dez anos depois do último; eles retornam, muito mais metalingüísticos e sarcásticos.

Pânico 4 é – definitivamente – o mais fresco da franquia. Craven e Williamson adaptaram para a geração 2000. Sim, de 96 pra cá muita coisa mudou. A fórmula é a mesma; mas os diálogos… Se nos anos 90 eles conseguiam conversar com os jovens , em 2011 eles estão twitando com eles. Esta nova produção explora todos os avanços tecnológicos e da cultura pop dos últimos anos, podendo conquistar novos fãs pra franquia (se você foi fã de Pânico, deve ter seus vinte e tantos anos – beirando os 30). Explorando o facebook, webcams, a franquia Premonição, Bruce Willis e muitos outros. Além disto, o fascínio pelo terror continua, onde prevêem os próximos acontecimentos; como eles já passaram por estes 3x, fazem piadas com as circunstâncias.

Como nos anteriores, STAB (filme dentro do filme, sobre os acontecimentos) se faz presente, mas agora está em sua sétima franquia; é quando é comparado a uma outra franquia interminável: Jogos Mortais. As brincadeiras acontecem em todo momento, trazendo mais frescor e tirando o peso por conta da violência. A relação entre remake e original também é alvo de discussão, sendo pontuado os acontecimentos pertinentes e a trajetória de um serial killer em filmes de terror (seria um alter ego do roteirista, ensinando os jovens cineastas a fazerem filmes?).

Pânico 4 não envelheceu com seus fãs, ele rejuvenesceu ; podendo conquistar muitos outros. A interminável metalinguagem, referências à cultura pop, surpresas no enredo e discussão do comportamento dos jovens e seus modismos deram à franquia mais jovialidade e humor. No final de tudo, Pânico 4 é uma grande brincadeira e homenagem aos filmes do gênero; tendo se adaptado a uma nova era, ele reflete o quanto a atitude dos jovens mudaram nas últimas décadas.

A trama se passa dez anos depois do terceiro longa, quando a perseguida e traumatizada Sidney Prescott (Neve Campbell) volta a Woodsboro, cenário do primeiro longa, para lançar sua autobiografia, um Best-seller pré-anunciado pela editora que a contratou.

O retorno do Anjo da Morte - como ela é conhecida na cidade - torna-se motivo para uma série de novos assassinatos brutais a adolescentes. E é natural que muita gente fique empolgada num cenário onde o vizinho era o assunto mais interessante até então.

Quem não parece gostar muito, além de Sidney, é claro, é o policial Dewey (David Arquette), agora xerife, nada satisfeito em ter que lidar com mais um maníaco aterrorizando seu pequeno povoado. Somente sua mulher, a ex-jornalista Gale Weathers-Riley (Courteney Cox) - em mais uma atuação que mistura canastrice com competência técnica - gosta da história, afinal, ela, que deixou a carreira jornalística para se dedicar a livros de terror de baixo potencial rentável, está em crise criativa. E nada mais apropriado do que o frescor de um novo massacre para que ela volte aos velhos hábitos de desafiar autoridades policiais, mandar todo mundo praquele lugar e se colocar em perigo em busca de seus 15 minutos de fama.

O novo núcleo adolescente, liderado por Jill (Emma Roberts), prima de Sidney, tem uma estrela própria, o que faz com que a participação do trio principal seja cada vez menos necessária - e está aí o fôlego, se for o caso, para uma nova trilogia.

Sidney (Neve Campbell) começa a conseguir superar os traumas do passado lançando um livro de memórias, mas ainda é perseguida pelas lembranças. Essa é, em linhas gerais, a história de "Pânico 4", filme que estreia nesta sexta-feira (15) e dá prosseguimento à franquia, mais de dez anos depois do lançamento de "Pânico 3", em 2000.
Cercada de mistérios pelo estúdio norte-americano produtor do filme  - quem acompanhou a sessão para a imprensa teve de assinar um termo em que se compromete a não revelar o final - o filme mostra Sidney percebendo a cada dia que mais e mais jovens conhecem sua história, mais por meio da série de filmes "Stab" do que pela série de livros da ex-jornalista Gale Weathers (Courtney Cox).
Quando Sidney volta à sua cidadezinha para uma tarde de autógrafos, crimes acontecem e colocam em risco a vida dos jovens locais. Mais do que encenar as mortes do primeiro "Stab"  - e por tabela do "Pânico" original - essa matança reinventa os crimes. Ou, como os personagens insistem em dizer: novas regras.
A partir daí, essa nova empreitada do diretor Wes Craven - novamente roteirizado por Kevin Williamson, também autor da trilogia original - segue a cartilha que a série estabeleceu.
A diferença da série "Pânico" para os demais filmes está em que esses não se levam a sério. E quando um personagem diz "Isto não é uma comédia, é um filme de terror", ele mesmo está subvertendo sua frase. Esta é, sim, uma comédia regada a sangue.
É tanto sangue, aliás, que a partir de um momento perde-se a sensibilidade, não nos damos conta de que o que está em jogo são vidas, na tela, é claro.
"Pânico 4" abre com uma série de gags que são engraçadas e sagazes, talvez um tanto demais, pois custa para o filme se reencontrar novamente. Demora para que a narrativa entre nos eixos e prove que não é apenas uma refilmagem disfarçada, mas tem algo de novo a acrescentar.
E como tem! Nesta última década, a juventude mudou, especialmente a forma como se comunicam e, mais do que isso, o que comunicam. Vivemos na era do excesso de informação - o que resulta num enorme volume de informação desnecessária.
A rede social
Esqueça "A rede social" - "Pânico 4" tem muito a dizer sobre a juventude conectada que envia vídeos, textos, posts, scraps e comentários de onde estiver. Essa é a doença contemporânea que Craven e Williamson tão bem levam à tela.
"Não quero ter amigos, quero ter fãs", diz uma personagem ávida por se tornar uma celebridade, não importa a que preço.
"Pânico 4" também pode ser uma vingancinha pessoal de Craven, cujo "A hora do pesadelo" foi destruído num remake infame lançado no ano passado. E ele não está sozinho.
Quando uma personagem enumera uma série de refilmagens do gênero, nos damos conta de como o cinema atual é capaz de destruir clássicos  - independente de seu tamanho, seja um Hitchcock ou mesmo um trash com algum status.
É um pouco cedo para entender tudo o que "Pânico 4" tem a dizer, mostrar e radiografar.
Talvez seja uma obra original, digna de entrar para o cânone por retratar bem uma época e uma geração. Mas também pode ser um grande suspiro recheado de ar, que daqui a algumas décadas, ironicamente, será tema de um remake. Só o tempo irá dizer.

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